5º CAPÍTULO
MAREA DEL PORTILLO > NIQUERO
No dia anterior, quando cheguei esfomeado ao
hotel, fui abordado por um casal de norte americanos. Eles também estavam
viajando em bicicleta, apesar de não ser uma viagem tão longa, escolheram
trechos para pedalar e outros com transporte. Alugaram as bikes com uma empresa
em Havana que já faz esse trabalho a algum tempo, organizaram o roteiro e
estavam curtindo demais. A partir de agora, com a normalização das relações
entre os dois países, a expectativa é de uma enxurrada de turistas dos EUA em
Cuba.
Pedalamos juntos por 15 km, quando chegamos a
Pilón eles ficaram, pois tinham um carro marcado para leva-los a um hotel nas
montanhas. Dali em diante segui sozinho, sabendo que uma grande subida me
aguardava. Não chegava a ser uma subida muito íngreme, mas seriam cerca de 3 km
e o sol já dava o ar da graça.
Era o momento de cruzar a histórica Sierra
Maestra, o caminho que os revolucionários encontraram para se defender, se
esconder e avançar, com dizia Che Guevara, “Hasta La vitoria, siempre!”.
O primeiro sinal de que estava num trajeto de
importância histórica foi a placa de “La Aguadita”, foi por ali que passou o
grupo liderado por Raul Castro, hoje presidente que lidera o país em busca de
mudanças e melhorias.
Mais a frente passei por “Alto Del Mareón”,
onde outro grupo cruza a montanha e a floresta, dessa vez um dos componentes
era nada mais, nada menos que Ernesto Guevara de La Serna, o Che.
Ao invés de seguir o caminho para Manzanillo,
resolvi desviar para Niquero, dali poderia visitar o local conhecido como
“Desembarco Del Granma” o verdadeiro berço da revolução socialista. Não poderia
passar tão perto e não visitar essa região, por isso cheguei a Niquero ainda
sem reserva em hotel ou casa particular, mas encontrei uma cidade ainda pouco
explorada pelo turismo internacional. Foi a minha primeira visita a uma cidade
de pequeno porte em Cuba, onde tive o primeiro contato com ruas, povo e vida
cotidiana.
Já começava a me chamar a atenção os Bicitáxi,
além das carroças puxadas por cavalos. O transporte público precário cria
situações muito diferente da realidade a que estamos acostumados, mas essa
parte da história só estava no comecinho, mais pra frente as experiências se
multiplicaram.
Perto do mar foi possível comer lagosta
desfiada com um “salsa” típica do lugar, por preço irrisório. No
acompanhamento, além da salada de pepino que me perseguiu durante toda a
viagem, o tradicional arroz com feijão, o arroz congri.



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