HISTÓRIAS DE UMA TRANSIÇÃO
“A hora avançava e a perna cansava. Aproximo-me de Sancti Spiritus, mas
faltando 4 km faço mais uma parada. É um quiosque na entrada de um hotel. Numa
mesa dois casais já tomaram mais de 20 cervejas long neck, na outra o consumo
era mais moderado.
Peço uma água com gás e depois uma cerveja. Decido comer apenas um tira
gosto, e a única opção é uma mini salsicha esquentada com um pouco de molho de
tomate.
O rapaz que atende é bem esclarecido. Comentou-me que já teve a
oportunidade de viajar para o exterior, já esteve no Canadá e por isso sabe
muito bem que nem tudo fora de Cuba é como se fala. Mais uma vez escuto o
mantra sobre as mudanças. Tudo é bem vindo, mas com muita calma.
Para ele a principal mudança é aquele quiosque, um negócio que hoje
pertence ao estado, mas que obviamente tem que passar para a iniciativa
privada. Ele entra em detalhes, temas normais para quem vive num país
capitalista. No momento quem fornece os produtos é o estado, ele ganha um
pequeno salário para cuidar do estabelecimento. Se faltar alguma coisa, não há
porque ele correr atrás para conseguir. Primeiro porque não pode, segundo
porque não muda a vida e o ganho dele.
Pouco a pouco negócios como aquele estão sendo arrendados, o governo
passa para a iniciativa privada, que paga aluguel e imposto. O novo dono tem
mais motivo para gerir o estabelecimento, não deixando faltar nenhum produto e
se preocupando com a qualidade no atendimento.
Fui embora desejando voltar e vê-lo como dono do próprio negócio, uma
mudança necessária e possível em médio prazo.”
Para ver essa e outras histórias publicadas no livro ENTRE BANDEIRAS - Uma pedalada através da transição cubana, vai lá no http://www.kickante.com.br/campanhas/pedal-2015-projeto-cuba e dá aquela força!!!
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